quinta-feira, janeiro 04, 2007

Quem espera sempre alcança

Julgavam que estávamos desaparecidos?
A trabalhar... e os frutos aparecerem. Outros virão em breve.
Apresentamos com o apoio da Câmara Municipal do Sabugal dia 20 no auditório municipal, uxukalhos.

terça-feira, setembro 19, 2006

Serra das mesas ultima parte


Formas de Pormenor – As Mesas – No trabalho de campo acerca da morfologia granítica na Serra das Mesas fomos presenteados com uma enorme variedade de formas de entre as quais destacamos, pela sua originalidade e singularidade as “mesas”. As “mesas” são a designação adoptada para referenciar esta forma cúbica e relativamente bem conservada que apresentam os blocos graníticos nesta serra. Foi talvez devido a este desconcertante modelado que a sabedoria popular pertinentemente chamou a esta serra a Serra das Mesas.

A morfologia designada por mesas tem claramente a sua génese no sistema de fracturas ortogonais, sendo a partir desta associação relativamente complexa de diáclases que se interseccionam formando ângulos rectos entre si, que se justifica a forma cúbica que apresentam as mesas, ou seja, blocos perfeitamente cúbicos, quase sempre ultrapassando a dimensão métrica.

As observações permitem-nos constatar, em primeiro lugar, um incisivo sistema de fracturas ortogonais, desenhando uma matriz bastante perfeita de diáclases, em segundo lugar, esta área provavelmente possui uma constituição mineralógica que difere nalgumas características do restante batólito e a partir do qual se poderá justificar uma maior resistência aos processos de meteorização resultando assim na morfologia única que apresenta.

Na evolução e desenvolvimento das “mesas” observamos que as zonas de diaclasamento correspondem às áreas a partir das quais os materiais alterados por meteorização foram transportados através do escoamento da água, formando espaçamentos cada vez mais largos entre os blocos, como é visível na fotografia que apresentamos.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Serra das mesas parte II

Morfologia granitica da Serra das Mesas

Nesta área o estudo da morfologia granítica revelou uma intensa e interessante paisagem apresentando um modelado que se confirma variado e bastante singular, como são os exemplos que apresentamos em seguida, resultando em formas graníticas desconcertantes e pouco usuais que marcam indubitavelmente a paisagem e causando forte impacto no observador pela surpreendente beleza!

A meteorização esferoidal – As bolas de granito, variando em tamanho e perfeição de arredondamento, estão amplamente distribuídas por todos os continentes e em todos os tipos de climas, formando na paisagem conjuntos ou ocorrendo isoladamente. A génese e profusão das bolas graníticas deve-se ao facto das massas graníticas se encontrarem intensa e naturalmente diaclasadas, resultando este sistema de fracturação em inúmeros blocos relativamente individualizados e que posteriormente com a actuação dos processos de meteorização vão alterando e transformando o granito fresco, evoluindo os blocos duma forma angulosa para uma forma progressivamente arredondada.

A meteorização esferoidal, também designada por meteorização em “casca de cebola”, consiste no processo de formação de “conchas” concêntricas que envolvem completamente o núcleo de um bloco.

O processo de meteorização em “casca de cebola” está ligado ao desencadear da descompressão nos blocos de granito a partir de um ponto central provocando assim um desequilíbrio na estabilidade do bloco que evolui para o destacamento de placas por inteiro que envolvem o núcleo da rocha, podendo mesmo afectar conjuntos de blocos que apesar de sobrepostos não impedem a continuidade do processo de disjunção esferoidal de placas em redor de um bloco central, ou seja, ocorre um lajeamento concêntrico em consequência do alívio da pressão pois os materiais suprajacentes vão sendo alterados e removidos. Para ilustrarmos este caso concreto, apresentamos a seguinte fotografia:

sexta-feira, setembro 08, 2006

Serra das Mesas parte 1

Estudo da morfologia granítica na Serra das Mesas

Localização e enquadramento da área de estudo. A Serra das Mesas, latitude 40º 16’ 22’’N, longitude 6º 51’ 30’’W e altitude 1256 m, respeitante ao marco geodésico das Mesas, localiza-se na área sudeste do Concelho do Sabugal, concretamente na freguesia de Foios. A Serra das Mesas, constituindo um batólito, isto é, de natureza granítica, é parte integrante do sector terminal, ocidental, da Cordilheira Central espanhola, que penetra no território português através de um conjunto de elevações usualmente designado por Serra da Malcata, mas que as designações locais de toponímia diferenciam como é exemplo a Serra das Mesas,

A Serra das Mesas

A Serra das Mesas destaca-se do conjunto de elevações onde está inserida, unidade geomorfológica da Serra da Malcata, por duas razões, em primeiro lugar, pela altitude, possuindo o ponto onde ocorre a maior altitude da unidade, atingindo os 1256m, e em segundo lugar, pelo facto de ser a única serra deste conjunto onde domina a litologia granítica.

Em relação à litologia a Serra das Mesas apresenta um granito porfiróide de duas micas e grão médio a fino. A Serra das Mesas é uma área intrigante e rica ao nível do modelado granítico, sendo possível observar na paisagem o granito esculpido com arte e mestria pela natureza e pela passagem do tempo. A área apresenta uma morfologia desconcertante tanto pela riqueza, como pela quantidade e originalidade de modelado que conserva e que resultou numa diversidade exuberante de formas.

O desenvolvimento do trabalho de campo levou à comprovação que o batólito da Serra das Mesas é um extraordinário “laboratório” de pesquisa da morfologia granítica, apresentando um ecletismo realmente notável e originando uma multiplicidade de formas sempre originais, sempre surpreendentes.

Autor: Vitor Clamote

domingo, agosto 13, 2006

As opiniões

Ainda bem que causamos impacto.

Gostaram? Que correu mal? Com melhorar? Deixem os vossos comentários aqui em cima!!

No blog da casa, um artigo, por alguém que também estava deste lado, com pés cabeça e muito bom senso.
O matarbustos e a Iké [1, 2, 3, 4, 5, 6] aceitaram o desafio - obrigado - de conhecer o castelo e dizem de sua justiça. Com fotos... a fazer justiça ao que não nos cansamos de dizer.

Podem ter a certeza que todos os comentários - e conversas - vão fazer a diferença daqui a um ano.

quarta-feira, agosto 09, 2006

Caminhada a Malcata

Caminhada a Malcata

Do Sabugal nos partimos,

vendo ao longe densa mata,

suaves encostas subimos,

para chegar a Malcata.

Corria a água para norte,

a água do Rio Côa;

Nós com saúde e com sorte,

Chegamos a coisa boa.

Com passos de papa-léguas,

Caminho fomos vencendo:

Lutamos ganhamos tréguas,

Deu no que estamos vendo.

Cada qual em seu lugar,

Comendo bebendo vinho -

Com tempo para saborear,

Este rico almocinho.

Sabemos que:

A todos o mar encanta!

Encantam as ondas na praia!;

Mas a serra, também encanta,

É bela a terra, os Verdes e a M,aia.

A todos os que aqui estão,

Que vieram a este passeio!

Desejo do meu coração!!!

Vivam bem um século e meio.

Alfredo Correia

Sabugal, 29/07/2006

quarta-feira, agosto 02, 2006

Depois das sensações, as imagens

As primeiras.
Fica o apelo para que nos enviem todas as fotografias que tenham. São importantes para os grupos que actuaram.


sexta-feira, julho 28, 2006

O sabor da água

Deixar para trás um castelo imponente de luz, uma noite de música - e algum stress tipico de equipa nova - dizer até amanhã aos amigos e embalar o rio no ouvido, calmo e corrido.
Uma noite.
Outras virão. As fotos estão ali à porta.

quarta-feira, julho 26, 2006

Revés num Workshop

Por motivos fortes temos de cancelar o workshop e actuação das adufeiras de Monsanto.
Um pequeno revés num programa que acreditamos manter-se forte.

quarta-feira, julho 19, 2006

Outros percursos

Julho, a preparar Agosto.
O mês termina com a calma do Sabugal embalada em música e cultura popular.
Por sua vez o Vimioso recebe um projecto bébé - como nós - "Sons e ruralidades": Agregar a música e o campo em nome de uma forma de vida.
Montalegre junta o tradicional, o moderno e o paganismo celta para o Celtirock.
O castelo de Sines recebe um dos marcos maiores no roteiro das músicas do mundo: FMM Sines.
Fornotelheiro, sem pompa mas com toda a substância propõe os III encontros Etnográficos. Se pensam que são "ranchos" desenganem-se!Já em Agosto, na primeira semana, o sempre presente Andanças.
Bem, e o Danzas sin fronteras, lá para o final de Agosto, em Madrid.

Os Caminhos a Seguir

segunda-feira, julho 17, 2006

Para Pensar

“Um dia virá em que, no próprio local em que se situava, se perguntará onde ficariam todas as cidades que ao longo dos séculos impuseram o seu domínio, todos os monumentos que, pela sua amplidão ou beleza, ornamentaram os impérios.”

Séneca, epist.LXXI

Boleias: trocas e baldrocas

No espirito do festival: usem os comentários (este número aqui por cima) desta posta para partilhar os lugares no carro, discutir como chegar.
Eu posso dar boleia a uma/duas pessoas do Sabugal para o Andanças, no dia 31.

sexta-feira, julho 14, 2006

Uma imagem a Procurar

Eis o flyer que nos próximos dias vão encontrar um pouco por todo o lado. Imprimam à vontade, enviem ao vizinho, à vizinha, ao amigo, à inimiga, ao cão, ao gato, ao lince, ao polícia... afinal é gratuito.

Património Arquelógico a visitar 3

Dólmen de Sacaparte:

Nas proximidades do Convento de Sacaparte, existem ainda os restos de um dólmen. Deste primitivo monumento sobram apenas três pedras, que constituem os restos de uma construção mais complexa, da qual só visualizamos uma parte reduzida, pois o monumento terá sido destruído ao longo do tempo, pelos trabalhos agrícolas e florestais e pela reutilização das pedras em muros das propriedades envolventes. A forma de colocação das pedras fincadas no solo é cuidada e a orientação E-SE do eixo principal da construção confirmam que se trata de um monumento funerário pré-histórico.
Estas construções sepulcrais eram constituídas por pedras mais ou menos verticais, em número variável – os esteios, e cobertas por uma grande laje horizontal – a mesa ou chapéu, formando uma câmara que se prolonga, por vezes, por um corredor igualmente coberto. As câmaras fúnebres podiam ter grandes dimensões, com mais de 2 metros de altura, outras vezes eram mais baixas, como parece suceder neste caso.
Mas o dólmen não se reduzia apenas ao grande caixão de pedra. Estas lajes estavam, na origem, cobertas por um amontoado de pedra miúda e de terra que revestiam por completo a estrutura pétrea, formando uma suave elevação no terreno, de forma semiesférica, que popularmente se designa por mamoa. As antas que hoje visualizamos estão, por isso mesmo, já bastante descaracterizadas, pois apenas lhes sobra a câmara interior. No dólmen de Sacaparte ainda se notam algumas pequenas pedras em torno das lajes fincadas, testemunhando a sua primitiva cobertura.
Nestas estruturas mortuárias eram colocados os restos mortais dos indivíduos das comunidades neolíticas e calcolíticas que habitaram a região durante o IV e III milénio a.C. Junto com os despojos funerários eram depositadas algumas peças de cerâmica e artefactos de pedra polida ou lascada. Muitas vezes os próprios esteios das antas apresentavam pinturas ou gravuras de arte esquemática, de significado desconhecido, que contribuem para a datação do monumento, o que não parece ocorrer neste caso.
O dólmen de Sacaparte é o único testemunho megalítico preservado no concelho do Sabugal, apesar de bastante destruído. No entanto, sabemos que a região do vale superior do rio Côa foi rica em termos de megalitismo, porque terão existido, pelo menos, mais nove antas na actual área municipal, que foram entretanto destruídas ao longo dos tempos: cinco em Ruivós, duas em Aldeia da Ribeira, uma no Cardeal (Rendo) e outra na Bendada.

Texto: Marcos Osório

quarta-feira, julho 12, 2006

Património Arquelógico 3

Gravuras rupestres de Vilar Maior:


Em Vilar Maior, defronte dos antigos Paços do Concelho, no decurso da remoção de um muro existente, identificou-se um conjunto de gravuras numa laje granítica, desobstruída com estes trabalhos, onde destaca um grande motivo quadrangular reticulado de 7X8 fiadas de quadrículas, que se assemelha a um tabuleiro de jogo.
A observação atenta dos estranhos motivos geométricos e abstractos que se observavam ao lado do grande quadrilátero, nomeadamente os halteriformes, os escaliformes, as figuras em "V" (de conotações femininas) e as múltiplas covinhas, confirmaram que se trata do primeiro painel de arte rupestre pré-histórica do concelho do Sabugal.
A gravação foi obtida através da percussão de artefactos líticos ou metálicos na superfície da rocha. Os motivos variam na largura e na profundidade da gravação.
Apesar do grande esquematismo das gravuras, recorrendo, na grande maioria dos casos, a imagens geométricas, elas representam figurações naturalistas e antropomórficas, associadas sinteticamente a ideias ou conceitos, para nós desconhecidos.
Este repertório iconográfico é enquadrado pelos especialistas dentro do conhecido fenómeno da Arte Esquemática, com inúmeros paralelos artísticos conhecidos em outras regiões portuguesas (sobretudo no interior-norte). Ao contrário da arte paleolítica, em que eram gravados sobretudo animais, a arte esquemática é uma expressão mais recente, que representa a evolução para figurações muito esquematizadas, à base de símbolos, figuras geométricas e representações antropomórficas. Este estilo artístico iniciou-se no Neolítico e difundiu-se sobretudo no período do Calcolítico e Idade do Bronze (III-II milénios a.C.).
Em Vilar Maior conheciam-se já vestígios arqueológicos que atestam uma rica ocupação humana no período da Idade do Bronze Final, sobretudo a famosa espada de bronze, de lâmina pistiliforme (no Museu Regional da Guarda), mas também as contas de colar de pasta vítrea, os machados e enxós votivas de pedra polida, as mós de vaivém e a cerâmica manual e a torno. Estas gravuras rupestres permitem suspeitar que o povoamento local recua ainda mais alguns séculos e que estas comunidades criaram um espaço sagrado ou artístico na encosta meridional do relevo, onde deixaram gravadas, para a posteridade, representações mitológicas, ou simplesmente artísticas, sobre as suas concepções da realidade envolvente - as quais somos impotentes para descodificar. Esta rocha desenhada poderia servir de enquadramento a ritos que ali se processavam ou faria alusão a acontecimentos mitológicos, cuja natureza nos escapa.
Constitui, seguramente, mais um ponto de interesse arqueológico na própria Vila medieval e no Concelho do Sabugal.

Texto: Marcos Osório

segunda-feira, julho 10, 2006

Apresentamos o Transcudano

A imagem da Transcudânia pela qual nos poderão reconhecer.
Obrigado Manuel Morgado!! Magnífico trabalho.

Sitios Arqueológicos a Visitar 2

Caria Talaia:


Caria Talaia é o primitivo topónimo de um lugar pertencente à freguesia da Ruvina, conhecido apenas na documentação antiga. O topónimo tem origem árabe e possui o significado de “pousada-vigia”. O local corresponde hoje a um elevado relevo, destacado e sobranceiro ao rio Côa, a cerca de 11 km do Sabugal, com o nome de cabeço da Senhora das Preces, por ter sido edificada aí uma ermida de sua devoção.
A sua localização estratégica num óptimo ponto de travessia deste rio concedeu-lhe a importância militar no controlo das vias naturais e do território que se alcança desde o seu topo. Ainda se podem observar, hoje, os vestígios das antigas poldras de passagem do rio.
No topo do relevo foram identificados diversos fragmentos de cerâmica manual, de tradição pré-histórica, um fragmento de mó de vaivém de granito, e há referência ainda ao achado de um machado em bronze, que mostra que aí viveu uma comunidade que talvez recuasse à Idade do Bronze Final. Enquanto não forem realizadas escavações no local não poderemos conhecer melhor a natureza e a cronologia de ocupação primitiva do sítio.
Mais tarde, terá sido iniciada a construção de uma fortificação neste monte, pelos monarcas leoneses (século XIII), oposta ao castelo português de Vila do Touro, do outro lado do Côa, fundado pelos Templários.
A mais antiga referência a este assentamento militar data de 1226, na descrição dos limites do termo da Vila de Alfaiates. Conhece-se outra menção em 1231, numa carta de Fernando III à Vila do Sabugal, citando-a já como aldeia do termo do concelho do Sabugal. A última alusão data de 1320-21, já depois da passagem de Riba-Côa para posse portuguesa, onde se menciona a «igreja de Santa Maria de Caria Talaya».
A partir do século XIV, a aldeia terá sido abandonada e despovoada, pois deixou de deter importância estratégica e militar com o recuo da fronteira castelhana para leste. No local ainda se detectam os vestígios da antiga muralha defensiva, entre os quais alguns silhares com marcas de canteiro. No entanto, são parcos os indícios materiais da antiga povoação que aí terá existido.


Autoria: Marcos Osório